De romances vivem Augustos
Poesia inspirada e adaptada do livro “A moreninha”, de Joaquim Manoel de Macedo.
Por Eduarda Maciel Leite.
Sou poeta e não sei amar;
Do Augusto que há em mim nunca saíram as palavras de paixão;
Eu eternizei a dor em meu coração para que o amor não pudesse mais adentrar;
Eu me imaginei com loiras pálidas, ruivinhas, moreninhas e as dos cabelos coloridos deteriorados;
Mas nunca havia permitido-me viver do que meus companheiros tanto exclamavam prazer;
Dos mais profundos arrepios que nos ocorrem quando nossa amada sussurra “Amo-te” em nossos ouvidos, da voz suave que ecoa do peito da moça que faz te querer pular de paraquedas em meio a chamas, e do calor que sai de dentro da mente do indivíduo que canta o amor em forma de serenata;
Nunca entendi o porquê de permanecer com um só ser, de limitar-me a sentir o que por várias deveria compartilhar, de do lado de uma linda e única mulher estar pois é ela, e somente ela que me preenche o corpo e alma;
Nunca entendi os poréns que meus companheiros recitavam, das prosas, poemas e poesias escritas nos folhetins com os nomes românticos no título, caneta de tinta vermelha e pontos e vírgulas demarcados de cabo a rabo, pois os pontos finais nunca foram sequer cogitados nesses relacionamentos;
Do tempo duradouro fizeram parte e jamais nada nem ninguém poderia arruinar tal forma de se relacionar;
De poeta e amada, de moreninha para moreninha, de homens e mulheres, mulheres e homens que se sentem inferiores se sozinhos... Ao menos era o que eu pensava até achar a minha moreninha;
A mulher que fizera-me colher os destroços dos pensamentos manipuladores; Que tanto fizeram-me achar o amor uma forma de ilusão;
A única ilusão foi pensar eu não ser poeta de se amar, de não ser Augusto o suficiente para se beijar, mas não digo te agora dos beijos vazios, falo lhe do sentimento que arde em mim quando os lábios se tocam e principalmente, das batidas errôneas provindas de meu peito;
Falo lhe da única que fizera meu corpo enriquecer de uma emoção até então desconhecida;
Pois se nunca permiti-me degustar da mais bela única boca da moça que faria meu coração palpitar, como dir-te-ei não ser merecedor do verdadeiro amor?
Que tanto falam-me por aí, donde vou à onde estou, de segunda à sexta dizem-me do amor;
E o mais angustiante de se pensar, é que os batimentos cardíacos acelerados de meu coração sempre significaram ansiedade e pavor;
Causava-me dor até eu a encontrar;
A dona do sorriso largo, olhos negros e cabelos envoltos por um laço que a acompanhava, menina travessa que não para quieta, é inteligente quando a convém, astuta e ágil, até a ouço reclamar demais pelas manhãs;
Mas talvez seja isso o que influenciou-me a me apaixonar por ela;
E seria inconcebível dizer-te que formato da peça do amor nunca coube no meu quebra cabeças, que de todas as peças que se encaixavam e padronizavam se entre si, essa era a única perdida;
Que o amor de uma vida inteira nunca pareceu-me real, o suficiente;
Mas agora ignorância seria de minha parte e desperdício de vocabulário se dissesse que o amor não me fora conveniente;
E sincero serei ao dizer que eu, Augusto teimoso, perderia mais mil milhões de apostas se todas elas levassem-me a ela.
Que eu escreveria mais de 24 romances consecutivos, sem parar para viagens do feriado de Sant’Ana e para as mais ricas carraspanas;
Se todos esses fatores primordiais me levassem a um dia achar ela;
Somente ela;
A minha moreninha.
Eduarda Maciel.