A sacada e seus devaneios
Pego o lápis mas nada o move, apenas espero minha mente sobrevoar para um caminho sem volta, onde não há respostas. Os questionamentos me alarmam, me deixam acordada e como ficar bem nesta morada? Preciso de ar fresco.
Saio de casa de meias e pijama, para um encontro do meu eu e a lua, as estrelas e o vento molhado, um ar extremamente gelado.
O vento me conforta, me causa arrepios e por mais que me digam "Irá adoecer", é isso o que me sustenta.
E como se me sentisse livre, respiro. Mantendo meu pulmão com cem por cento do ar mais frio, respiro. Solto tudo aquilo que me faz delirar na velha sacada e me sinto completa. Finalmente dependendo do belo luar que me acompanha.
O céu escuro é o ponto mais claro que consigo enxergar, no meio de tanto caos do subúrbio.
As estradas vazias, assim como meu peito e alma, as árvores chacoalham e o mesmo ocorre com meu coração.
Bate como as janelas abertas do vizinho, criando um som que não incomoda, só faz me sentir viva, assim como todos os elementos que compõem a paisagem.
Os carros estacionados dão impressão de que há muito mais que um simples alguém no terraço, mas é o contrário do que sinto.
Comigo há apenas astros, cometas e planetas.
O vasto universo que me segura forte, que me mantém calma.
O cheiro de chuva me aquece, o sopro das nuvens me agradece e é isso o que chamo de devaneio.
E assim, sinto-me livre de problemas, repleta de um mundo de possibilidades que minha mente criou neste pequeno período de delírio.
No momento em que volto me deparo com a vazia realidade que me persegue, e logo quero voltar.
Eu pertenço à sacada e o vento é minha maior segurança. Traz-me esperança ao contrário de inúmeras cobranças.
Por isso peço;
Traga-me a sacada, mesmo que eu seja levada com a neblina.
Eduarda Maciel.